Detran vai fiscalizar adulteração de hodômetro
segunda-feira, novembro 30th, 2009
A partir de dezembro o Detran de São Paulo vai vistoriar também os hodômetros dos carros usados. O objetivo é acompanhar a quilometragem ao longo da vida do carro e evitar a falsificação do marcador, crime comum para tentar valorizar o carro na hora da revenda. A inspeção do velocÃmetro ocorrerá na vistoria obrigatória para transferência de propriedade (venda do carro), que já checa os números de chassi e placa. Os dados do hodômetro poderão ser consultados por todas as pessoas que estão negociando um veÃculo usado, segundo informou o jornal Folha de S.Paulo.
A medida tomada pelo órgão de trânsito teve como base uma denúncia da deputada estadual Maria Lúcia Amary (PSDB-SP), que recebeu uma queixa de um proprietário lesado ao comprar um carro usado com o marcador adulterado e fez uma indicação oficial para que o órgão fizesse a vistoria da quilometragem dos veÃculos de acordo com a portaria 2000/2006. Atualmente, o Detran apenas verifica o chassi para saber se o veÃculo é roubado, deixando de lado outros aspectos importantes para o consumidor.
Em nota distribuÃda à imprensa, a deputada afirma que para não perder a clientela, alguns proprietários de lojas de usados têm usado de artifÃcios para estimular as vendas e enganar o consumidor. Um veÃculo com 50.000 km, facilmente pode ser adulterado para 10.000 km, e quem pagará a conta será o comprador. É impossÃvel um leigo saber se existe algo errado ou não. Somente uma vistoria técnica pode identificar o problema.
Segundo ela, é comum as pessoas já comprarem um carro usado, sabendo que existe a possibilidade de sua quilometragem ter sido adulterada. “Isto é um absurdo. Compromete a segurança do veÃculo”, completa a parlamentar.
Maria Lúcia se baseou no caso do motorista Ricardo Sabanae - divulgado pela Folha de S.Paulo -, de 39 anos, que comprou um veÃculo da marca Subaru em uma loja multimarcas no começo de 2009, com 88.000 km. Após constatar um vazamento de óleo, Sabanae levou o seu carro até uma concessionária autorizada que, através da placa, reconheceu o automóvel. Logo foi constatado que havia algo errado.
Quando este carro passou pela autorizada no ano de 2005, este possuÃa 105.000 km, portanto, seria impossÃvel o mesmo estar em 2009 com 88.000 km. “Acredito que, no mÃnimo, o criminoso tenha reduzido cerca de 100.000 km no meu hodômetro. Como fiquei extremamente preocupado com a segurança da minha famÃlia, troquei diversas peças que  teoricamente não precisariam ser trocadas. Gastei mais de R$ 3 mil por ter sido enganado.”
De acordo com Ricardo, fica difÃcil provar quem produziu a adulteração. Ele fez um boletim de ocorrência por precaução, mas sabe que dificilmente chegará até o culpado.
Os donos de veÃculos, comerciantes, lojistas e oficinas que adulteram o hodômetro cometem crime contra as relações de consumo e estão sujeitos a pena de dois a cinco anos de detenção.







