
Esportivo GT Malzoni 1965 (Fotos: Audi/Divulgação)
Um raro exemplar do DKW GT Malzoni, de 1965, ficou exposto até 30 de novembro no Museu Audi Mobile em Ingolstadt, na Alemanha. O esportivo criado na década de 60 inicialmente para as pistas de corrida foi o primeiro veículo brasileiro a ser exibido no museu oficial da marca.
Quem conta essa história, recheada de fatos e passagens curiosas (que transcrevo abaixo), é o colega Charles Marzanasco, ex-repórter e editor dos tempos áureos da Revista Quatro Rodas e atual assessor de imprensa da Audi.
Segundo ele, o interesse da Audi pelo Malzoni nasceu em 2007, quando representantes da Audi Tradition - divisão responsável pela preservação da história da empresa - vieram ao Brasil em busca do esportivo. O jornalista Flavio Gomes, admirador dos veículos da Vemag, foi o responsável por encontrar um modelo em bom estado para restauração. A pedido da Audi, o modelo incorporado ao acervo foi restaurado no sul do Brasil por especialistas.

O Malzoni que foi exposto na Alemanha é um cupê esportivo ano 1965, com motor de 60 hp, de dois tempos e três cilindros. Uma jóia de colecionador que teve apenas 35 unidades produzidas. A história do modelo Malzoni começou em 1962, quando Genaro “Rino” Malzoni, filho de um fazendeiro do interior paulista, segundo consta, projetou seu próprio cupê para impressionar as moças. O trabalho artesanal ficou impecável.
Em outubro de 1964, o GT Malzoni - um veículo com carroceria esportiva feita por “Rino” Malzoni e chassi e mecânica do DKW - estreou em Interlagos, chegando ao primeiro lugar na classe dos protótipos. Como usava ainda uma carroceria de chapa, a performance do motor ficava comprometida, o que levou à reconstrução da carroceria - com alguns retoques no desenho feitos por Anísio Campos - utilizando fibra de vidro.
O resultado foi uma berlineta de peso bastante inferior que recebeu o nome de GT Malzoni. O modelo chegou a vencer cinco corridas em 1965 com o pequeno motor de 1.080 cm³ de cilindrada com até 106 hp de potência. Das pistas, o modelo chegou às ruas, com um motor de três cilindros, dois tempos e 981 cm3, desenvolvendo a potência de 60 cv a 4500 rpm. A velocidade máxima era de 145 km/h.

Em 1966, o modelo marcou sua estréia na tradicional prova das Mil Milhas de Interlagos, e com seus 100 hp de potência ultrapassou o limite mágico da época de 200 km/h. O esportivo ficou em terceiro lugar porque a três voltas do final precisou fazer um pit stop adicional. Na década de 60, foram fabricados apenas quatro modelos Malzoni de corrida.
A história esportiva do Malzoni é muito rica no Brasil. Para os amantes da velocidade, não é possível esquecer os duelos emocionantes entre Alfas, Interlagos, Simcas e Malzonis, com estes últimos voando baixo à frente de todos os outros, com os pequenos motores de 1.080 cm3 e 106 hp de potência.
Entre os pilotos que se destacaram no passado com estes modelos Malzoni estão Emerson Fittipaldi, Mário Cesar de Camargo Filho, Bird Clemente, Francisco Lameirão, Norman Casari e muitos outros.
Diante do quadro bastante promissor, Rino Malzoni, Jorge Letry, Luis Roberto Alves da Costa e Milton Masteguin se associaram e fundaram a Sociedade de Automóveis Lumimari (nome derivado das duas letras iniciais de cada sócio). Em 1966, a empresa mudou sua razão social para Puma Veículos e Motores. O Malzoni pode ser considerado o “avô” do mais famoso esportivo brasileiro, o Puma, que chegou a ser exportado para cerca de 50 países e foi o único carro brasileiro montado em outros lugares, como Canadá e África do Sul.
Em 1967, a Vemag foi vendida no Brasil para a Volkswagen e o GT Malzoni, mais tarde, seria substituído pelo Puma.