O melhor test-drive está no dia-a-dia com o carro
quinta-feira, fevereiro 25th, 2010
A imprensa especializada participa de uma série de lançamentos de carros a cada ano. Em geral, esses eventos consistem de uma apresentação técnica, onde a fábrica explica o projeto e pontos de destaque do novo modelo, e de um test-drive, que é chamado por alguns profissionais da área de avaliação.
Nessas ocasiões, o jornalista roda apenas algumas horas com o veículo e na maioria das vezes em autódromos, pistas especiais, trajetos determinados ou roteiros predefinidos de estradas. Há casos de montadoras que permitem apenas dar algumas voltinhas em torno da fábrica. Só depois de algum tempo, que pode variar de uma semana a até alguns meses, é que o carro chega à Redação para um período mais longo e aprofundado de “teste”.
Devido a essa limitação, fica difícil para quem faz o primeiro contato com o carro no lançamento tirar conclusões consistentes sobre o seu comportamento. O contrário acontece com as revistas especializadas, que recebem as novidades em primeira mão, com até um mês de antecedência, e têm tempo de sobra para conhecê-las e medir seu desempenho com aparelhos especiais. A maioria (grande parte dos jornais, suplementos e sites de internet) conhece mesmo o veículo na hora.
Estou falando tudo isso porque entre janeiro e fevereiro rodei mais de 1.500 quilômetros, num percurso alternando cidade e estrada, com dois modelos da Fiat, o Siena 1.0 EL e o Stilo 1.8 BlackMotion. O melhor test-drive é aquele que você faz reproduzindo o seu dia-a-dia e isso demanda um bom tempo atrás do volante do carro. Num período alternado de duas semanas de avaliação, fui de um extremo ao outro. Comecei guiando um sedã popular e, depois de um intervalo de tempo, terminei com um hatch médio de luxo.
Eu, que tinha como referência os modelos mais atuais da Ford (inclua-se na lista Fiesta e EcoSport), utilizados por mim durante alguns anos, fiquei surpreso com a dirigibilidade desses modelos da Fiat, no que toca a posição de dirigir, acerto da suspensão, precisão de engates e respostas rápidas do volante e dos freios. Mas isso não pode ser considerada uma exclusividade da marca de origem italiana. Esse mesmo padrão é encontrado hoje na nova linha de compactos da Volkswagen (geração G5, linha Fox, Polo e Golf), na linha Fiat mais recente (Punto e Linea) e na nova geração Chevrolet, entre outros.
Não me considero um consumidor fiel de uma determinada fábrica. Já tive carros de diversas marcas. Acho que todos eles têm as suas virtudes e os seus defeitos. Como costumo falar, não existe o veículo perfeito, mas aquele com o qual a gente se sente bem e seguro ao dirigir.
Hoje, os carros nacionais mais modernos estão em pé de igualdade em termos de projeto e de qualidade. Eles só ficam devendo em tecnologia, principalmente no que se refere à eficiência e rendimento dos motores, em grande parte (não são todos, é claro) ultrapassados. Mas essa realidade deve mudar nos próximos dois anos, com a chegada de uma nova família de motores da Ford, Fiat, VW e General Motors.

















